"já temos um passado" por patrícia moran

Leia o texto inédito da pesquisadora Patricia Moran sobre a mLC 2009.

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Conhecer é estar imerso em um oceano de partículas cintilantes e nele engolfar-se sensualmente. Conhecer é ser invadido e habitado pelas imagens errantes de um cosmo luminoso.

(Lucrécio citado por Alfredo Bossi. p.67.)

Nos próximos dias teremos a segunda edição do Festival Live Cinema organizado por Luiz Duva e Márcia Derraik. Trata-se de uma ocasião ideal para pensarmos a partir dos trabalhos selecionados a consolidação de processos de criação audiovisual que tem em comum a realização ao vivo de algum aspecto do trabalho. Na sua origem o ao vivo  vem do inglês, refere-se à simultaneidade entre a captação das imagens e sons pelas câmeras e microfones da TV e sua transmissão. No francês utiliza-se o termo “em direto”, nesta acepção tampouco há o tempo de pós-produção.  No caso das experiências poéticas presentes no festival vamos  circunscrever a expressão ao vivo à simultaneidade entre a execução e a recepção do trabalho, a diversidade de proposta apresentadas sugere que sejamos prudentes nas generalizações já que aqui não poderemos singularizar o suficiente as experiências apresentadas.

 O Festival RedBull Live Images organizado em 2002 por Luiz Duva, Tatiana Lohmann e Fabiana Prado é exemplar para pensarmos a cena atual. Além de criar um espaço de encontro como os festivais em geral, ele funcionou como um dínamo ao reunir pela primeira vez no Brasil realizadores que de maneira isolada criavam seus trabalhos. Naquele momento as cidades ainda não haviam abrigado este tipo de produção, os poucos realizadores em ação se apresentavam isoladamente na abertura de festivais de arte eletrônica, em raves e poucos clubs. Considero paradigmático o RedBull Live images pois até hoje não vi no Brasil um evento como aquele, desculpem-me o romantismo mas tratava-se de um espaço de liberdade, de entusiasmo generalizado diante do reconhecimento da existência da incipiente cena. O entusiasmo também estava na possibilidade de se mostrar e conhecer o trabalho alheio. A montagem do lugar onde se davam as apresentações foi pensada tendo em vista se garantir  a qualidade da imagem e do som, o que deveria ser uma regra, salvo louváveis exceções, não é norma nessa terra pau-brasil. Em um galpão do bairro paulista Barra Funda três ambientes com intercomunicação física e visual abrigavam nove projetores. Telas de diversos tamanhos e disposições faziam o desenho do ambiente, não havia palco. A separação entre o público e os realizadores era feita por mesas - como em um ambiente doméstico - com diversas tralhas, trecos e traquitanas conhecidos popularmente como computadores, mixers e câmeras e é claro etc, etc, etc.

O público andava, estava literalmente entre imagens. Se embriagado não estivesse, a disposição das telas os teria assim deixado. Era praticamente impossível apreender de um único ponto de vista o espaço como um todo, as telas ali presentes. As mesmas tinham tamanhos e dimensões distintas. Se o espectador estivesse situado no espaço das mesas, o mais central de todos, ficaria envolvido por quatro projeções. Esta sala tinha duas passagens para outros ambientes, através dela víamos uma espécie de totem com três projeções em um dos lados e no outro, uma sala onde havia o bar, esta piscava pelo reflexo das imagens das outras salas. O lugar ocupado no galpão proporcionava uma experiência diferenciada do espetáculo, cada espaço oferecia telas e pedaços de telas distintos. Na fila do bar tínhamos a visão do que se passava em uma projeção comprida, mas também neste lugar era possível uma paquera com uma tela da sala das mesas e um pedaço da terceira sala. Havia um gigantismo nas projeções funcionando como paisagens, além de (des)orientar espacialmente o espectador, a diversidade e dimensão das telas tornava evidente a temporalização do movimento. Em função do seu tamanho e do pedaço oferecido à visão tínhamos a percepção – equivocada mas tão evidente e verdadeira – de distintas temporalidades para o que estava sendo mostrado. Os planos fechados pareciam mais lentos. Os abertos tem uma área maior, em tese mais espaço  para o olho escolher onde observar e assim o todo sugere outro tempo. O mergulho entre os telões propiciava estimulação visual e sonoro, algo como uma instalação sensorial gigante criando uma massa de luz pelos projetores e seus reflexos. Cada trabalho enfatizava alguns pontos de vista e, focos de luzes  e cores.

Vale lembrar que nas máquinas rodavam programas simples, o FinalCut,  programa originalmente criado para edição, imperava na maioria dos computadores. VJ Spetto usava seu aplicativo VisualRadio, o primeiro brasileiro a desenvolver uma ferramenta de programação para trabalhar com imagens em tempo real. Um mixer simples misturava imagens com  alternativas escassas de variação dos parâmetros da imagem, ainda prevalecia a instabilidade produtiva da mão e seu  toque na timeline no evento de criadores de ritmos, de exímios montadores. A filiação dos primeiros VJs brasileiros com a montagem e corte ao vivo para TV é nítida, quase todos passaram por ilhas de edição e televisões, alguns chegaram a levar para suas primeiras apresentações pedaços de ilhas VHS e no caso de Duva uma ilha não linear da AVID, um monstrengo sofisticadíssimo pela resolução de imagem oferecida e gigantesco se considerarmos o tamanho atual das estações de edição.

Se revezavam nas mesas Palumbo, Embolex (com Oswaldinho), Bijari, Feito a mãos (hoje disperso), Nirvana aka Lucas Margutti, Duva, Jodele Lacher, Aléxis, entre outros. Cada grupo criava uma configuração espacial distinta em função das imagens exibidas e de outros recursos cênicos utilizados, como vendedores de maçã do amor e atores colocados ali pelos Bijari, na época com Giuliano Scanduzzi na trupe. Como processo de constituição de um acontecimento os espetáculos apresentados estavam mais próximos da dança, do teatro e da música do que do cinema como praticado atualmente nas salas de projeção. A situação das apresentações acima descritas  podem ser aproximadas ao cinema, mas, estamos ai nos referindo a um outro cinema, aquele tão bem colocado por Arlindo Machado.  Segundo o autor o pré-cinema “reunia na sua base de celulóide, várias modalidades de espetáculos derivadas das formas populares de cultura como o circo, o carnaval, a magia e a prestidigitação, a pantomima, a feira de atrações e aberrações” (76).  A aproximação do Live Images com essa situação dá-se pela diversidade de  atrações propostas, pelo lugar do público, pela apresentação do Bijari e pelo tipo de atenção dispersa solicitada. Como coloca Machado : se podia também comer, beber, dançar (...) nos music-halls na Inglaterra, café-concerts na França e vaudevilles ou smoking concerts nos Estados Unidos (78). Algo impensável nas atuais salas de cinema.

Outra aproximação com estas situações são as raves, um primeiro palco para os VJS.  Estamos diante de uma festa de estímulos onde as imagens podem vir ao primeiro plano, mas em principio não são as estrelas. Em festivais corporativos a situação é a mesma, mas a falta de cuidado com a imagens configura uma outra situação. O skol beats é exemplar de como estes festivais não priorizam a integração das imagens e dos sons, de como o espetáculo em sua totalidade não é o mais importante. O evento valeu para consolidar trajetórias e possibilitar o encontro e trocas entre os realizadores, mas há um descaso para com a imagem que compromete a qualidade da projeção. Em diversos eventos, e ai não apenas no promovido pela cerveja, a iluminação e raios laser competem com os projetores, comprometendo a projeção. Não bastasse o descuido com a imagem, outros tipos de constrangimentos ocuparam o palco destas “batidas”. Ao firmarem contrato com a corporação os VJs tinham o compromisso de não abordar temas como sexo, política, religião e drogas. O coletivo Embolex foi mantido alguns anos na geladeira ao apresentar imagens do Gugu e da Xuxa em plena atividade de sexo explícito.

O Nokia Trends também protagonizou uma página importante no cerceamento à livre expressão, VJ Palumbo desenvolvia o seu set, parte do mesmo consistia em cerca de quatrocentas marcas de corporações de todas as naturezas, a sucessão das marcas era praticamente um elogio ao design, as mesmas se substituam através da decomposição das letras por fracionamento. Palumbo fazia uma alusão direta ao universo das corporações, não havia qualquer comentário, a não ser o esfacelamento pela quebra de fundo e frente do ícone, a meu ver um procedimento técnico e estético sem qualquer conotação político-ideológica, sucediam-se os ícones vazios de um segundo sentido, eram nada mais do que referências a produtos, quase uma propaganda gratuita. Prefiro evitar narrativas persecutórias para pensar as conseqüências do uso da marca Motorola, seu uso foi considerado inadequado pela organização do evento, o “problema” repercutiu e a partir de então o VJ não foi mais chamado a participar dos festivais. No ano seguinte a equipe do Skol Beats explicitou ser este o motivo de sua ausência no line-up do evento. Na lista de discussões VJBR em solidariedade a Palumbo surgiu a proposta de a determinada hora da festa as telas de todas as tendas serem tomadas por imagens de Palumbo, a adesão não foi generalizada, mas a discussão e as telas piscando imagens do “banido” são uma espécie de atitude de contracultura, uma articulação relâmpago como resposta à proibição. Proibição descabida, sinal de que no fluxo de imagens remixadas nem tudo passa desapercebido seleciona-se ao ver. A censura do evento gerou uma resposta contundente e discussão nacional através da lista criando uma situação para a existência temporária do sentimento de grupo e de defesa de interesses comuns.

Outro problema dos festivais corporativos é a duração das apresentações, cada VJ ou coletivo era chamado a garantir algo como doze horas de imagens. Não vou entrar no mérito de como cada VJ resolvia esta questão, mas com certeza o cuidado que se tem em um trabalho de trinta minutos a uma hora é outro, a performance pode ser pensada como um todo, com um início, desenvolvimento e conclusão, o mesmo é impraticável em eventos de tão longa duração, não há a garantia de que algum fanático permanecerá este tempo em uma tenda. A menção a estas situações nos auxilia a entender como aos poucos os próprios VJs passaram ao lugar de empreendedores.  A dimensão e formato dos eventos produzidos pelos VJs é outra. Estes eventos são caros para garantir uma estrutura de projeção e de som com qualidade, assim, todas iniciativas fora das corporações tem tido vida curta. O Embolex em mais de uma ocasião foi residente em bares de São Paulo para os quais convidava outros realizadores, o Bijari em uma mistura de artivismo e festa se envolve com freqüência na invenção de alternativas de apresentação. Em Belo Horizonte o VJ 1mpar e DJ Tee já realizaram duas edições de um festival que tem como centro do interesse espetáculos audiovisuais ao vivo. E Duva, o mais tenaz, depois  do RedBull Live Images passou a organizar o Festival Live Cinema.

Tanto no RedBull Live Imagens quanto nas edições anteriores do Live Cinema prevalecia a mixagem, processo no qual a re-significação das imagens é uma constante. A produção de sentido por contigüidade, ou seja, a criação de analogias pela proximidade das imagens está na base da montagem, confunde-se inclusive com o seu surgimento. Nos remix apresentados nos festivais, além das analogias horizontais criadas pela seqüência das imagens há ainda a sobreposição de imagens fixas e em movimento e a alteração dos parâmetros de velocidade. É na alteração e repetição do movimento e dos parâmetros da velocidade que se estruturam os trabalhos. Todo e qualquer instante deixa de ser “instante qualquer” e passa a ser um momento privilegiado de construção de intensidades, sejam elas duras ou fluidas. Chamo de intensidades duras as resultantes da aceleração, estas imagens piscam pela repetição rápida, os cortes e movimentos são duros. Já as fluidas são lentas, enfatizam gestos e pequenos movimentos, distendem o tempo chamando atenção para um ou outro aspecto da cena. O mais comum nas apresentações é a aceleração dos loopings1. A mudança da velocidade instaura outra qualidade, deixa em aberto um campo para a  fabulação  indicado pela ação da cena.

Agora...

Chega de saudade.

No Festival de Live Cinema deste ano há propostas  as mais variadas, algumas delas não mais remix, ou remix de outra natureza pois as imagens são produzidas pelos próprios realizadores ou, os programas modificam os procedimentos e a poética como um todo. Temos trabalhos construídos através da manipulação de parâmetros das imagens e dos sons anteriormente gravados, a geração de imagens no momento da apresentação em si a partir de algoritmos auto-generativos ou não, ou o trabalho com câmeras abertas ao público e atores. Neste último exemplo acontece simultaneamente a encenação, a captação/gravação e transmissão.

O Live Cinema traz um outro perfil de ilusionistas. Internacional, ele abriga algumas tendências da contemporaneidade de produção audiovisual em tempo real.  Temos o veterano Cláudio Caldini, cineasta experimental da Argentina que com cinco projetores Super-8 retoma em sua performance uma tecnologia tradicional. Traz imagens captadas em time-lapse durante três anos. Três anos? É isso que nos informa este site, em um espetáculo de no máximo uma hora veremos a condensação de uma experiência fruto de anos de investimento. A aposta do Festival está na experimentação, na apresentação de um procedimento que é novo pela retomada de um processos, pela natureza da combinação sugerida.

Há uma série de poéticas criadas com sistemas tecnológicos desenvolvidos pelos realizadores a partir de plataformas aberta de programação, os scritps são produzidos especialmente para cada performance. Entre estes destacamos VJ 1mpar com seu projeto HOL, Fernando Velásquez com a performance Library e o japonês Daito Manabe com seus sensores para a face. Suas apresentações são uma “geléia geral” de programas como o VVVV, Max, arduíno, PD e modul8. Eis a turma da Geléia geral maquinica.

1mpar cria e produz objetos para cada espetáculo, para este fez cilindros de vidro que se comunicam com os computadores através do arduíno, em um teclado midi controla imagens e sons. Fernando Velásquez se com a metáfora da biblioteca (library) problematiza nossos procedimentos de catalogação, de organização do mundo digital, ainda tributário das analogias do mundo material, de outras formas de organização de conteúdos e logo, de conhecimento. Daito Manabe acessa e manipula as imagens com a parte do corpo mais rica em nervos, o rosto.  Com uma fisionomia maquínica diversos esparadrapos seguram os sensores ligados às máquinas por fios aparentes. Sua máscara facial é a sagração do homem-máquina, um  Frankstein às avessas. O filmes de Daito encontrados no youtube mostram outras experiências bastantes semelhantes às realizadas pelo músico e inventor russo Theremin. Que tempo é este da criação e mostração da imagem? Que tempo é este entre a União Soviética do início do século XX e o Japão deste início de XXI? Vamos decifrar a máxima de Daito Manabe: O tempo é real quando o presente é uma premonição.

Outra vertente próxima da acima colocada é a dos trabalhos  com todas as marcas da pós-modernidade, ou seja, o lugar de misturas de imagens, de procedimentos e de proficiência artística. Assentados na cultura retrô, do reaproveitamento tecnológico, grupos como o DUO N-1 reinventam os usos de objetos óticos fora de uso, com a performance Marulho Oceânico. A dupla Panetone brinca com os extremos, artivista em discurso usa o PD, software livre e aberto à programação, e trabalha com baixa tecnologia. Abraça o slogan cara ao movimento punk rock: do it yourself. PANETONE em sua Ruidografia mescla padrões elétricos à ruídos analógicos e imagens produzidas com brinquedos modificados, quer dizer, aparelhos de vídeo-game. Como sugere o titulo da performance se propõe a fazer barulho, criar com o barulho uma zona de desconforto. Faço uma pergunta rápida, isso é trabalho audiovisual? Ainda sim, estão integradas a audição e visão que se alternam em preponderância um e outro. Neste caso o som – ruído sendo – é  mote da apresentação.

Já Dada Attack e Fernando Timba na performance Ilusionismo lançam mão de objetos para o estudo da síntese do movimento. Foram à época do pré-cinema denominados objetos filosóficos. O zootrópio, o traumatrópio e o fenaquisistiscópio estarão no palco ligados à algum software e a câmera que capta no momento da apresentação cenários em pequenas maquetes. Os realizadores se propõem “a criar musicas e instrumentos a partir de lixo, de brinquedos e instrumentos sem valor. Hardwares analógicos, softwares, quebrando barreiras para se expandir a paleta musical”.

Marcus Bastos com Dudu Tsuda e Karina Montenegro em Ausências também priorizam a música, no caso, canções eletroacústicas.  Fazem uso de coisas, de objetos com função cênica, mais um ruído a compor as texturas visuais da performance somadas à musica concreta e eletroacústica. Em Ausências evoca-se a memória, como sabemos lacunar e falha. Os objetos do palco e a imagem precária e incompleta da projeção sugere este lugar. Como nas propostas  sumariamente citadas temos como dispositivo inicial a música, aliada à mistura de técnicas novas e velhas e no caso a criação de uma cenografia onde uma máquina de costura é instrumento musical.

Beto Brant, Bruno Vianna e Alexandre Carvalho vão experimentar  o corte ao vivo na construção de uma narrativa com enredo. A curiosidade em ambos é a experimentação de um novo processo de realização para contar estórias com a mediação de uma câmera. Os dois primeiros propõe trabalhos com atores. No caso de Beto Brant é louvável sua coragem de arriscar, de experimentar o desenvolvimento de um enredo com os atores encenado simultaneamente à recepção pelo público. Um diretor consagrado, com sólida trajetória e reconhecimento inegável se joga em uma experiência nova. Vamos conferir!

Bruno Viana remixa um filme que ele mesmo rodou e tem apresentado em diversas ocasiões. Neste trabalho o mais instigante é a bela interface refletida no teto da sala de projeção da qual o realizador tem acesso ao seu banco de seqüências. Através do toque ele escolhe a seqüência a ser utilizada. Nos três exemplos temos um procedimento pouco usual, para contar histórias. Esperamos ser surpreendido, esperamos que algum valor seja agregado ao trabalho com a novidade do ao vivo.

Tomas Klotzel também aposta em sua tradução multimídia da Tempestade de William Shakespeare na narratividade. Mobilidade na tela, imobilidade no palco. Em seu trabalho Requien Granular apresentado em outro edição do Live Cinema e presente neste site, ele explora intensidades, áudio ruidoso, mixagem alternando passagens duras e fluídas. Nesta apresentação a aposta do VJ parece tomar outro rumo, ele corre outros riscos. Em suma, riscos são a aposta do Festival, correr riscos a proposta dos realizadores. De Beto Brant deixando um lugar já conquistado, aos recicladores de imagens e objetos e inventores de ferramentas próprias, espero criadas para realizar espetáculos impróprios.

Arte e ciência para a experimentação, para o encontro com o imprevisível, com improvisos. Não me arrisco a falar que imagens teremos em cada apresentação, em que paisagens visuais vamos mergulhar. Espero tudo! De algoritmo auto generativos a uma imensa tela se derretendo a nossa frente, mas não derretendo de cima para baixo, não respeitando as leis da gravidade, mas derretendo para dentro, e ao derreter revelando outra, e mais outra paisagem. Estamos diante de performances audiovisuais resultado da mistura entre ferramentas digitais, eletrônicas, mecânicas e artesanais, uma síntese atualizada das vanguardas dos anos 20 e dos anos 60 do século XX.

Patricia Moran

 

Referências bibliográficas

Bossi, Alfredo. 1988.  A fenomenologia do olhar. In: Novaes, Adauto (org). O Olhar. SP: Cia das Letras.

Machado, Arlindo. 1997. Esse lugares iníquos, esses espetáculos suspeitos... (76/87)   In:Pré-cinemas & pós-cinemas. SP: Papirus.

 


1 Looping é o nome dado a pequenos pedaços de filmes geralmente no formato movie armazenados nos bancos de dados dos computadores. Grupos de loopings permanecem visíveis e disponíveis na tela do computador para serem utilizados a qualquer momento da apresentação.

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