Conceito

Live Cinema, o futuro é agora!

 

Seguindo uma tradição de experimentação e de convergência das tecnologias, dos meios e das artes, nos encontramos numa época marcada por imagens transformáveis, vivas, recombinantes e transmutáveis. Uma época onde entendemos que não há fronteiras, que não há diferenciação entre o real e o digital, onde imagens pairam em nuvens de dados sob nossas cabeças, transpassando nossos corpos em ondas eletromagnéticas captadas por e em nossos aparelhos móveis e portáteis. Uma época em que as imagens em movimento estão sujeitas a todo tipo de processo e/ou dispositivo que as manipulem, reconstruam e as resignifiquem. De vídeos interativos publicados nas redes sociais da internet às tecnologias de projeção de vídeo mapeado e 3D, da infinidade de telas e câmeras que nos cercam e vigiam aos celulares que registram e divulgam, tudo  produz conteúdo.

Mas o que Live Cinema tem a ver com isso? Muito, mas antes cabe uma explicação sobre o que é Live Cinema. O termo  “LIVE CINEMA” ou “Cinema ao Vivo” foi usado originalmente para classificar uma sessão de cinema silencioso que tinha a execução de música ao vivo durante a sua apresentação. Mas isso foi no início do século passado, hoje o termo “LIVE CINEMA” diz respeito à execução simultânea de imagens, sons e dados por artistas visuais, sonoros ou performáticos que apresentam suas obras diante da platéia. São apresentações onde a improvisação e o acaso fazem parte de um processo que resulta na possibilidade de criação e vivência, por parte do público, de uma experiência audiovisual expandida, agora mais do que nunca, também entendida como sensorial e imersiva.

No Brasil, assim como em todo mundo, o Live Cinema segue uma tendência iniciada a partir do início dos anos 2000 que teve na figura do VJ (o DJ de imagens) uma peça fundamental para o seu desenvolvimento e integração com a cultura POP. Dos vídeos clipes da MTV da década de 1980 aos remixes audiovisuais dos VJs das décadas de 1990/2000, o que vemos e experimentamos desde então são formas, não novas, mas sim atualizadas de se ver e experimentar um audiovisual que pelo uso das tecnologias e técnicas disponíveis invadiram nossa vida de forma nunca antes imaginada. Hoje o Live Cinema agrega artistas do porte dos cineastas Francis Ford Coppola e Peter Greenaway, de artistas multimídia como o canadense Herman Kolgen e dos japoneses Ryoji Ikeda e Daito Manabe ou ainda dos brasileiros HOL, Bruno Vianna e Duo N-1 que através do desenvolvimento de

suas pesquisas, obras e pensamentos apontam para a criação de uma forma de arte audiovisual que transcende o meio, o espaço e o tempo. Uma arte antenada com a sua época, para a qual o futuro acontece no aqui e agora, em tempo real.

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