Se o cinema transformou a imagem do mundo no século passado,
hoje a sua experiência se vê transformada pelas novas
tecnologias audiovisuais. O que chamamos de “cinema ao vivo”
são performances em “tempo real”, em que a produção
e/ou edição das imagens e sons se dão simultaneamente
ao tempo vivido pelo espectador. Remixagens de filmes consagrados,
geração de efeitos visuais e sonoros, técnicas
de animação, música eletrônica, linguagens
videográficas e hipertextuais desafiam nossa percepção
habitual das possibilidades sensoriais em uma sala de cinema.
Inicialmente
desenvolvida nos ambientes de clubes e festas com DJs e VJs (disc-jockeys
e visual-jockeys), o fenômeno da performance audiovisual em
tempo real ganha cada vez mais não apenas as salas de cinema,
mas também os circuitos de mostras e exibições
em galerias, museus e festivais de arte pelo mundo afora, reconfigurando
e expandindo as formas espaço-temporais audiovisuais.
O
que é decisivo nessas novas experiências cinematográficas
é o dado da performance: mais do que simples reprodução,
as máquinas necessitam dos artistas executando suas obras “ao
vivo” para que elas se realizem. O resultado é uma vivência
única, ainda mais imersiva e interativa, onde o acaso e a participação
do espectador são necessariamente incorporados ao planejamento
e à execução da obra.
Mais
além da projeção na tela e da emissão
do sistema de som, acompanharemos artistas processando áudio
e vídeo no palco utilizando computadores, câmeras, teclados,
instrumentos e periféricos diversos como joysticks e pads,
ou dispositivos como circuitos fechados de vídeo ou tanques
com reações químicas.
Essa
é a proposta dessa mostra, onde as mais recentes tendências
de criação audiovisual ganham corpo no Rio de Janeiro:
novas formas de narratividade nos são oferecidas, novos modos
de articular sons e imagens nos são proporcionados, novas reações
corporais nos são provocadas.
Fernando
Salis
Cineasta e Professor da Escola de Comunicação da UFRJ