O tempo esculpido em luz

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por Marcus Bastos, colaborador blog mLC

Antonhy Mc Call: o tempo esculpido em luz
Aconteceu em 2012 uma das mais completas exposições individuais de Antonhy Mc Call. Realizada entre 20 de abril e 12 de agosto, no Hamburger Bahnhoff, em Berlin, Five Minutes of Pure Sculpture misturou trabalhos das fases horizontal e vertical de Mc Call. No total, foram exibidas 7 obras produzidas entre 2003 e 2009. Pioneiro do cinema expandido, o artista britânico constrói filmes de luz sólida, em animações lentas que permitem a fruição pelo olhar, mas também por meio do trânsito diante dos projetores. O público compreende de forma intuitiva a proposta de transformar o cinema numa experiência de participação, e circula diante das imagens brincado com as sombras e volumes gerados. É também comum as pessoas olharem para o projetor, num gesto de inversão radical de expectativas. Com o surgimento dos projetores digitais, Mc Call mudou o sentido dos trabalhos, convertendo suas obras em esculturas de volume etéreo e cinético, com um simples gesto de rotação em noventa graus dos projetores (e o consequente deslocamento da superfície de projeção da parede para o chão). A tridimensionalidade resultante resulta numa rara representação conjugada de espaço e tempo. Ao passear pelos volumes, o corpo percebe as mudanças volumétricas ao mesmo tempo que as remodela com sua presença. Na entrevista exibida junto com os trabalhos (http://www.mccallinberlin.de/index.php?id=1192&L=1), o artista discute como se deu esta passagem e quais os principais elementos de sua pesquisa, que fica na intersecção entre cinema, pintura e escultura.

 

 

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Marcus Bastos é professor da PUC-SP. Entre seus projetos recentes estão as composições audiovisuais “ela, só, pensa naquilo”, “fluxos” (com o telemusik) e “ausências” (com dudu tsuda). Organizou, com Lucas Bambozzi e Rodrigo Minelli, o livro “Mediações, Tecnologia, Espaço Público” (Editora Conrad).

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