luiz duVa e Manuel Pessôa

STORM é uma composição audiovisual apresentada em um espetáculo de improvisação multimídia que tem como tema o embate do ser humano com o desconhecido, seus limites e tentativas de transposição.

Em STORM vemos aos poucos uma tempestade se formar e explodir sensorialmente para fora da tela. Quando ela passa estamos diante de um homem que aos poucos é conduzido ao interior de uma floresta, rumo à escuridão. Adentrar a selva em STORM é mergulhar num misterioso mundo interior e aqui, a despeito de toda fragmentação apresentada pelo ritmo e encadeamento das imagens, e de toda a força da natureza que se manifesta, surge um traço narrativo: o percurso mítico do Herói – das trevas à ressurreição.

STORM capta e apresenta um presente intensivo, sem passado, nem futuro. Não se trata de um trabalho que almeja uma imagem fixa, para contemplação, mas que busca a potência máxima de instabilidade contida num único frame com toda a sua potência e possibilidade de multiplicidade de camadas simultâneas. É uma imagem que propõe transcendência.

STORM foi criada pelo artista multimídia luiz duVa a partir de centenas de pequenos arquivos de vídeo captados por ele de paisagens da Mata Atlântica brasileira e da costa marinha do sul da Inglaterra. Estes arquivos são manipulados ao vivo em grande velocidade, com sobreposições e processamentos digitais que transfiguram sua feição original numa linguagem visual de forte impacto emocional. O áudio também surge da manipulação em tempo real de samplers criados pelo compositor Manuel Pessoa, que reinterpreta sua composição ao vivo de acordo com o desenrolar da performance. A fluidez fica ainda mais forte a partir do momento em que a música e as imagens não estão sincronizadas a priori, sendo controladas pelos dois artistas simultaneamente, gerando espaço para um jogo único entre imagem, som e luz que coloca o público imerso, em contato com o desconhecido.

Em STORM a idéia de imersão é outro ponto fundamental do trabalho. O público ao invés de assistir a performance sentado diante da imagem, como num cinema ou teatro convencional, precisa estar mergulhado na experiência visual à maneira de uma instalação. Para isso colchonetes ou almofadas são colocadas embaixo da tela de projeção para que as pessoas possam se deitar no chão e ficar “quase-dentro” da imagem. Além disso uma sonorização quadrifônica e uma potente luz estroboscópica, amplificam as imagens para fora do seu suporte de exibição fazendo com que ela possa ser experimentada fisicamente pela platéia.

 

Sobre os artistas

Luiz Duva aka luiz duVa é videoartista e performer multimídia. Produz imagens e sons para serem vistos em ambientes imersivos em mono ou multi-canais, videoinstalações e composições audiovisuais que são apresentadas em performances de Live Cinema. Seu interesse principal é o de explorar os limites físicos e emocionais do corpo humano através da sua representação videográfica.

Manuel Passôa é compositor, concertista, professor, pianista e flautista.

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